Estive aqui há três dias:
http://www.eltiempo.com/nacion/oriente/2007-10-01/ARTICULO-WEB-NOTA_INTERIOR-3746250.html
Se para uns. Estar aqui na sudamerica é uma grande aventura, a maior da vida deles! Especialmente para os gringos (americanos, australianos, ingleses). Como para o rapazito que fez de buenos aires a nova york de mota. Para mim estar aqui é a coisa mais normal do mundo (a forma desta frase é uma experiência).
Não me sinto aventureiro. Milhares e milhares de pessoas já fizeram estas rotas. Não são rotas de aventura, são rotas de turismo de aventura. Aventura para esta gente é serem 6 da tarde e ainda não saberem onde vão dormir, ou ter de falar espanhol para comprar um bilhete de autocarro, ou saber que aqui há raptos.
Por outro lado, os anglófonos, em geral, dão muito valor ao fazer a viagem e depois dizerem que a fizeram. Serem vistos como aventureiros é, para a grande maioria dos viajantes, o mais importante da viagem.
Para mim, eu não sou aventureiro, os outros é que são uns atados! Sim, lamento, vocês ;-)
Há muito poucos turistas culturais aqui, turismo étnico!? Este é o turismo que me interessa. E como falo espanhol, a cultura de cá está fantasticamente disponível em todas as esquinas.
No mas gringos! Sudamericanos, claro!
01 outubro, 2007
30 setembro, 2007
Insónia, nirvana e outras desconstrucoes
(para quem chega pela primeira vez aqui, ler o post a baixo, bem mais palpável)
Domingo de manha, depois de uma noite de copos e 5 horas de sono acordo as 9 da manha... em Bogota.
Si me perguntas algo pela mañana, mismo en ingles, digo "si!" o "que?" ... o espanhol entranha-se.
"Porque te ries?", todos perguntam. "Porque todo es muy hermoso aquí" digo.
Há uma sentimento que me invade quando viajo, o síndrome do viajante, que mal sei descrever.
As jorradas de vida, realidade, diferença que me penetram, reflectem-se nos meus olhos e no meu sorriso permanente. Um estado de harmonia com a violenta real-diversidade.
As ideias já não são concretizáveis, são meramente visíveis. As respostas possíveis da politica, metafisica ou ética misturam-se em volta da avalanche de dados. A maquina cérebro vai sempre dizer que há uma lógica, uma realidade, um sentido. Viajar é derrotar esta inércia estruturante do nosso cérebro.
Os amigos brasileiro, argentino e israelita ajudam a torrente; o amigo colombiano que nos acompanha pela noite como se fossemos amigos de anos também ajuda ao sorriso.
Onde esta Chavez entre a propaganda? Onde estão as veias abertas da América Latina? Onde está a justiça para tantos pobres?
O que somos, sudamericanos? Porque somos? Onde estamos? Porque estamos? Onde vamos? Porque vamos? Vamos?
Há só uma teoria que me invade lentamente, que todos confirmam mas ninguém concorda: somos todos a nossa educação e a luta que temos com ela nos limites de nos mesmos.
Ética e politicamente. Cultural e socialmente.
Siddartha diz-nos que, se formos capazes de absorver o para la dos nossos limites, chega-nos um sorriso. Deleuze diz-nos que se nos perdermos ai, no nirvana, na despersonalização, nos encontraremos num final. Nietzsche também vive ai, como se houvesse um ponto de chegada. Eu não espero encontrar-me senão na medida em que regressarei a mim, a uma construção qualquer; amalgama de educação e revolta.
Museo Botero, Bogota:
Esculturas de Ernst:
http://www.bc.edu/bc_org/avp/cas/fnart/art/20th/sculpture/ernst01.jpg
A obra fundadora do surrealismo esta em Bogota:
http://www.artfacts.net/newspics/2119_Busto
Domingo de manha, depois de uma noite de copos e 5 horas de sono acordo as 9 da manha... em Bogota.
Si me perguntas algo pela mañana, mismo en ingles, digo "si!" o "que?" ... o espanhol entranha-se.
"Porque te ries?", todos perguntam. "Porque todo es muy hermoso aquí" digo.
Há uma sentimento que me invade quando viajo, o síndrome do viajante, que mal sei descrever.
As jorradas de vida, realidade, diferença que me penetram, reflectem-se nos meus olhos e no meu sorriso permanente. Um estado de harmonia com a violenta real-diversidade.
As ideias já não são concretizáveis, são meramente visíveis. As respostas possíveis da politica, metafisica ou ética misturam-se em volta da avalanche de dados. A maquina cérebro vai sempre dizer que há uma lógica, uma realidade, um sentido. Viajar é derrotar esta inércia estruturante do nosso cérebro.
Os amigos brasileiro, argentino e israelita ajudam a torrente; o amigo colombiano que nos acompanha pela noite como se fossemos amigos de anos também ajuda ao sorriso.
Onde esta Chavez entre a propaganda? Onde estão as veias abertas da América Latina? Onde está a justiça para tantos pobres?
O que somos, sudamericanos? Porque somos? Onde estamos? Porque estamos? Onde vamos? Porque vamos? Vamos?
Há só uma teoria que me invade lentamente, que todos confirmam mas ninguém concorda: somos todos a nossa educação e a luta que temos com ela nos limites de nos mesmos.
Ética e politicamente. Cultural e socialmente.
Siddartha diz-nos que, se formos capazes de absorver o para la dos nossos limites, chega-nos um sorriso. Deleuze diz-nos que se nos perdermos ai, no nirvana, na despersonalização, nos encontraremos num final. Nietzsche também vive ai, como se houvesse um ponto de chegada. Eu não espero encontrar-me senão na medida em que regressarei a mim, a uma construção qualquer; amalgama de educação e revolta.
Museo Botero, Bogota:
Esculturas de Ernst:
http://www.bc.edu/bc_org/avp/cas/fnart/art/20th/sculpture/ernst01.jpg
A obra fundadora do surrealismo esta em Bogota:
http://www.artfacts.net/newspics/2119_Busto
29 setembro, 2007
28 setembro, 2007
Sudamérica
Caros amigos, a vida continua, desta vez em espanhol.
O plano
O plano é passar 3 meses na América do sul e fazer um percurso aleatório entre Caracas, na Venezuela, e Santiago, no Chile. Uma trajectória em linha recta de 5000kms que atravessa na sua grande parte a cordilheira dos Andes. 5000kms em recta que muito facilmente se transformam em 10000kms de estrada sinuosa a percorrer dentro de autocarros velhos guiados por motoristas loucos e sempre com os gigantes abismo e paisagem ao lado.
O blog
Desta vez o blog será mais curto e terei de o escrever em cybercafés, o que prejudica gravemente a inspiração e a qualidade da narrativa. Por outro lado, tentarei manter o blog como um espelho triste do meu bloco de notas, espelho esse mais fiel da realidade de aqui.
Muitos posts vao ficar por fazer: um gigante sobre politica na venezuela, por exemplo, ou outro sobre a planicie gigantesca dos los llanos, outro sobre racas, outro sobre musica, outro sobre comida, outro sobre plata ($), outros sobre as conversas com o povo de cá. Enfim, fica um cheirinho.
Venezuela
Caracas tem 7,5milhoes de pessoas e 100 morrem assassinadas por ano. A cidade mais perigosa do continente? É uma cidade pobre com torres. O bairro caro e seguro onde fui desaguar tem, á saída da estacao de metro, um prédio destruído e pouca gente na rua. Assustador. Tal como o oitavo andar do hotel de 60 anos onde fiquei. Um love motel de quartos vazios e vista sobre um bairro da cidade, onde se vê vias de 7 faixas, muitos carros, um ruído ensurdecedor de transito, torres a dizer PEPSI com edifícios pobres de um andar em frente, e uma nauseá terrível dentro de mim.
Na manha seguinte nem o centro fui ver, autocarro para uma praia ali não muito longe: os prédios e carros tirados por umas palmeiras, areia branca e ondas azuis do caribe. ao jantar um peixe fresco grelhado e um quarto numa pousada colonial (colorida) com vista para o mar.
Dois dias depois um parque natural com anacondas, capivaras, jacares, condores (abutres), tartarugas, golfinhos de agua doce, veados, cobras, etc. só não vi anacondas! Mas andei a cavalo, de barco no rio de agua castanha, fiz rafting em rápidos bem rápidos.
Entretanto a fronteira com a colombia (onde quem não esta cá para ver pensa que se pode morrer, ser roubado ou ser raptado) aparece e para trás fica um pais de gente simpática, mulheres bonitas, homens machistas; país do petróleo (um litro de gasolina custa 2centimos de EUR!!!), e onde se discute em todos os cantos: chavez, chavez, chavez.
O mote estava dado para uma viagem que se avista cheia de coisas novas.
Colômbia
Quem chega á antiga capital mundial dos sequestros leva logo um grande estalo: os colombianos são as pessoas mais simpáticas do mundo. Fazer conversa com alguém na rua é fácil, o difícil é parar e continuar caminho. O meu espanhol vai de vento em popa.
Já em Bogotá, depois de 17 loucas horas de autocarro pelas montanhas, a cidade assusta-me á priori mas depois de poucos blocos de caminhada pelas ruas apercebo-me que estou seguro. Na Venezuela eu sou obviamente um gringo, aqui não, aqui há mais brancos e faz com que eu só me destaque ou pela mochila as costas ou por ser alto.
Bogotá (tal como a Colombia em geral) é uma cidade com muito melhor aspecto que Caracas (e a Venezuela em geral). Os prédios não mostram tanto tijolo, as ruas tem passeios e os jardins, apesar de cheios de lixo, estão arranjados.
Este é o pais da cocaína (aqui custa 10 vez menos que na Europa e compra-se na rua). A guerrilha é eterna porque os quartéis que protegem as plantacoes de coca também são eternos. E todos vão vivendo felizes no principal pais do enfraquecido eixo de direita sul americano.
A viagem
A cada segundo há informação nova que me invade. E os limites do meu cérebro para processar essa informação já há muito que foram ultrapassados.
Intelectualmente é um processo muito desgastante mas interessantíssimo. Emocionalmente é um processo muito desgastante mas delicioso. Aqui jaz o fundamento do prazer de viajar.
O plano
O plano é passar 3 meses na América do sul e fazer um percurso aleatório entre Caracas, na Venezuela, e Santiago, no Chile. Uma trajectória em linha recta de 5000kms que atravessa na sua grande parte a cordilheira dos Andes. 5000kms em recta que muito facilmente se transformam em 10000kms de estrada sinuosa a percorrer dentro de autocarros velhos guiados por motoristas loucos e sempre com os gigantes abismo e paisagem ao lado.
O blog
Desta vez o blog será mais curto e terei de o escrever em cybercafés, o que prejudica gravemente a inspiração e a qualidade da narrativa. Por outro lado, tentarei manter o blog como um espelho triste do meu bloco de notas, espelho esse mais fiel da realidade de aqui.
Muitos posts vao ficar por fazer: um gigante sobre politica na venezuela, por exemplo, ou outro sobre a planicie gigantesca dos los llanos, outro sobre racas, outro sobre musica, outro sobre comida, outro sobre plata ($), outros sobre as conversas com o povo de cá. Enfim, fica um cheirinho.
Venezuela
Caracas tem 7,5milhoes de pessoas e 100 morrem assassinadas por ano. A cidade mais perigosa do continente? É uma cidade pobre com torres. O bairro caro e seguro onde fui desaguar tem, á saída da estacao de metro, um prédio destruído e pouca gente na rua. Assustador. Tal como o oitavo andar do hotel de 60 anos onde fiquei. Um love motel de quartos vazios e vista sobre um bairro da cidade, onde se vê vias de 7 faixas, muitos carros, um ruído ensurdecedor de transito, torres a dizer PEPSI com edifícios pobres de um andar em frente, e uma nauseá terrível dentro de mim.
Na manha seguinte nem o centro fui ver, autocarro para uma praia ali não muito longe: os prédios e carros tirados por umas palmeiras, areia branca e ondas azuis do caribe. ao jantar um peixe fresco grelhado e um quarto numa pousada colonial (colorida) com vista para o mar.
Dois dias depois um parque natural com anacondas, capivaras, jacares, condores (abutres), tartarugas, golfinhos de agua doce, veados, cobras, etc. só não vi anacondas! Mas andei a cavalo, de barco no rio de agua castanha, fiz rafting em rápidos bem rápidos.
Entretanto a fronteira com a colombia (onde quem não esta cá para ver pensa que se pode morrer, ser roubado ou ser raptado) aparece e para trás fica um pais de gente simpática, mulheres bonitas, homens machistas; país do petróleo (um litro de gasolina custa 2centimos de EUR!!!), e onde se discute em todos os cantos: chavez, chavez, chavez.
O mote estava dado para uma viagem que se avista cheia de coisas novas.
Colômbia
Quem chega á antiga capital mundial dos sequestros leva logo um grande estalo: os colombianos são as pessoas mais simpáticas do mundo. Fazer conversa com alguém na rua é fácil, o difícil é parar e continuar caminho. O meu espanhol vai de vento em popa.
Já em Bogotá, depois de 17 loucas horas de autocarro pelas montanhas, a cidade assusta-me á priori mas depois de poucos blocos de caminhada pelas ruas apercebo-me que estou seguro. Na Venezuela eu sou obviamente um gringo, aqui não, aqui há mais brancos e faz com que eu só me destaque ou pela mochila as costas ou por ser alto.
Bogotá (tal como a Colombia em geral) é uma cidade com muito melhor aspecto que Caracas (e a Venezuela em geral). Os prédios não mostram tanto tijolo, as ruas tem passeios e os jardins, apesar de cheios de lixo, estão arranjados.
Este é o pais da cocaína (aqui custa 10 vez menos que na Europa e compra-se na rua). A guerrilha é eterna porque os quartéis que protegem as plantacoes de coca também são eternos. E todos vão vivendo felizes no principal pais do enfraquecido eixo de direita sul americano.
A viagem
A cada segundo há informação nova que me invade. E os limites do meu cérebro para processar essa informação já há muito que foram ultrapassados.
Intelectualmente é um processo muito desgastante mas interessantíssimo. Emocionalmente é um processo muito desgastante mas delicioso. Aqui jaz o fundamento do prazer de viajar.
18 junho, 2007
10 maio, 2007
Dispersão ou Fim
Sobre Timor não sei mais o que escrever e por isso acabo aqui o blog.
Falta uma semana para partir em viagem pela Indonésia, Tailândia, Malásia. Um mês que prevejo saboroso.
Para terminar, deixo uma escritazinha automática de há já alguns meses. É a despedida perfeita. Depois (ou até antes) de ler isto, ninguém vai ter vontade de voltar aqui (ihihihi).
Os error de ortografia, sintaxe e semântica são do leitor!
As rugas da mão voam
e o sol venta nas sementes
em mim não vai ninguém
dor
hoje terei poema
terei poema hoje
poema hoje terei
deslizo, grito, desligo, estruturo, terapizo
terapizio de terapizamentos,
rescubro as palavradas do costumizamento aldrabado
pois aldrabadamente prosseguirei a minha tarefa
poemização destruturadamente ambulatória
fogueirização do lume
lumeniscentização aereozaamente comedida
jarrar no sulco rugozamente
chavenar-te-ias se eu te substantiva-se?
guatemalar-te seria embeber-te em continentalismos
oceanificar entranhamente a onda
areia cavalarizada com crinamentos de entes azulejizados em azul
cascolarizar ou atapetar?
SEMPRE TE ATAPETAREI A VIDA, MEU AMOR!
de gosmice em gosmice vai a galinha à fonte
vais lá tu ou enche a galinha o papo?
ou te calas ou tuizo-te já
vozificar em gritos aquilo que só uma estrutura neuronal descreve
o que sente a minha consciência quando se sente?
PAREI
sinto-me! este sentir... eu, dentro! no cérebro. tás a ver, Luís?
SOU EU! estrutura neuronal.... mas com sentir!
palavras? HAHAHAHA
PALAVRAS LEVA-AS A SEMIOLOGIA!
etimologar-te-ei esse sentir todo!
Amorizaficamente, comprometo-te a fazer a fazificação das coisas de uma forma coisamente credível sem deixar de debilitificar
sem deixar de conseguir ter... humidificação controversa, amarela até!
nas nozes que são sementes bate o vento e o sol
e as rugas do velho persistem, eu.
será o deja vu supremo, quando eu for as rugas da minha mão
e a minha vida for a imagem.
uma coisa é mais que uma imagem? viverá a imagem entre a coisa e o conceito?
a imagem é o inconsciente que vive entre as coisas e as palavras.
conceito é uma palavra.
uma coisa é uma coisa.
quando a lágrima que cair não valer...
PORQUÊ DESESTRUTURAR?
Houve tempos de estrutura dentro de mim. Eu todo era estrutura. Tal como Foucault põe a sociedade estruturada em cima de gel. Também eu era assim.
Um dia fiz o que Foucault faz. Arqueologizei-me. Começou a desestruturação ... e com ela a destruição, a descontextualização e a desintegração... do eu, e de mim. Cheguei a Sísifo e chorei que queria voltar. Mas a pedra voltou a descer e era só aquele som do vento que bate nas pedra e canta como vozes de mortos a rir.
Um processo lento de hospitalização intelectual e emocional começou. Depois de descer em lama e não ver fundo, decidi sem outra opção e em pânico, edificar-me outra vez, em estrutura!
O objecto foi crescendo devagar até o acabamento amor chegar.
Agora, o objecto que cresceu, digo, é semelhante ao outro. Menos rígido. Ainda em fase de mobilação. Com aquela mobília que cai com tremores de terra.
Sorriso, móvel não resistente a tremores de terra. Na queda, lenta, em trémulo, range gritos de socorro. O bafo formando uma nuvem que, por razões de nada, amparam-no.
PORQUÊ DESESTRUTURAR?
Sou o edifício erguido por um grupo de construção composto por imbecis! Todos corruptos à causa da construção. Todos querem(os) voltar à cave. Todos sabem que a estrutura é falsa...
PORQUÊ DESESTRUTURAR?
ACABARAM-SE as fossas e as lamas. Hoje somos homem vestido de rochedo de mar calmo! Hoje construimo-nos com credo! Hoje acreditamos na autenticidade da felicidade. AHAHAHAHA. PROTEGAM-ME! AMA-NOS! E se tal o fizeres terás o objecto monumental, um colosso erguido ao ar. Espelho. Estátua.
o dedo mindinho envolto em nuvens
amarelado
e no fundo as vozes cantam:
Sou estrela ébria que perdeu os céus,
Sereia louca que deixou o mar;
Sou templo prestes a ruir sem deus,
Estátua falsa ainda erguida ao ar...
Falta uma semana para partir em viagem pela Indonésia, Tailândia, Malásia. Um mês que prevejo saboroso.
Para terminar, deixo uma escritazinha automática de há já alguns meses. É a despedida perfeita. Depois (ou até antes) de ler isto, ninguém vai ter vontade de voltar aqui (ihihihi).
Os error de ortografia, sintaxe e semântica são do leitor!
As rugas da mão voam
e o sol venta nas sementes
em mim não vai ninguém
dor
hoje terei poema
terei poema hoje
poema hoje terei
deslizo, grito, desligo, estruturo, terapizo
terapizio de terapizamentos,
rescubro as palavradas do costumizamento aldrabado
pois aldrabadamente prosseguirei a minha tarefa
poemização destruturadamente ambulatória
fogueirização do lume
lumeniscentização aereozaamente comedida
jarrar no sulco rugozamente
chavenar-te-ias se eu te substantiva-se?
guatemalar-te seria embeber-te em continentalismos
oceanificar entranhamente a onda
areia cavalarizada com crinamentos de entes azulejizados em azul
cascolarizar ou atapetar?
SEMPRE TE ATAPETAREI A VIDA, MEU AMOR!
de gosmice em gosmice vai a galinha à fonte
vais lá tu ou enche a galinha o papo?
ou te calas ou tuizo-te já
vozificar em gritos aquilo que só uma estrutura neuronal descreve
o que sente a minha consciência quando se sente?
PAREI
sinto-me! este sentir... eu, dentro! no cérebro. tás a ver, Luís?
SOU EU! estrutura neuronal.... mas com sentir!
palavras? HAHAHAHA
PALAVRAS LEVA-AS A SEMIOLOGIA!
etimologar-te-ei esse sentir todo!
Amorizaficamente, comprometo-te a fazer a fazificação das coisas de uma forma coisamente credível sem deixar de debilitificar
sem deixar de conseguir ter... humidificação controversa, amarela até!
nas nozes que são sementes bate o vento e o sol
e as rugas do velho persistem, eu.
será o deja vu supremo, quando eu for as rugas da minha mão
e a minha vida for a imagem.
uma coisa é mais que uma imagem? viverá a imagem entre a coisa e o conceito?
a imagem é o inconsciente que vive entre as coisas e as palavras.
conceito é uma palavra.
uma coisa é uma coisa.
quando a lágrima que cair não valer...
PORQUÊ DESESTRUTURAR?
Houve tempos de estrutura dentro de mim. Eu todo era estrutura. Tal como Foucault põe a sociedade estruturada em cima de gel. Também eu era assim.
Um dia fiz o que Foucault faz. Arqueologizei-me. Começou a desestruturação ... e com ela a destruição, a descontextualização e a desintegração... do eu, e de mim. Cheguei a Sísifo e chorei que queria voltar. Mas a pedra voltou a descer e era só aquele som do vento que bate nas pedra e canta como vozes de mortos a rir.
Um processo lento de hospitalização intelectual e emocional começou. Depois de descer em lama e não ver fundo, decidi sem outra opção e em pânico, edificar-me outra vez, em estrutura!
O objecto foi crescendo devagar até o acabamento amor chegar.
Agora, o objecto que cresceu, digo, é semelhante ao outro. Menos rígido. Ainda em fase de mobilação. Com aquela mobília que cai com tremores de terra.
Sorriso, móvel não resistente a tremores de terra. Na queda, lenta, em trémulo, range gritos de socorro. O bafo formando uma nuvem que, por razões de nada, amparam-no.
PORQUÊ DESESTRUTURAR?
Sou o edifício erguido por um grupo de construção composto por imbecis! Todos corruptos à causa da construção. Todos querem(os) voltar à cave. Todos sabem que a estrutura é falsa...
PORQUÊ DESESTRUTURAR?
ACABARAM-SE as fossas e as lamas. Hoje somos homem vestido de rochedo de mar calmo! Hoje construimo-nos com credo! Hoje acreditamos na autenticidade da felicidade. AHAHAHAHA. PROTEGAM-ME! AMA-NOS! E se tal o fizeres terás o objecto monumental, um colosso erguido ao ar. Espelho. Estátua.
o dedo mindinho envolto em nuvens
amarelado
e no fundo as vozes cantam:
Sou estrela ébria que perdeu os céus,
Sereia louca que deixou o mar;
Sou templo prestes a ruir sem deus,
Estátua falsa ainda erguida ao ar...
02 maio, 2007
O Mestre
Passei a manhã a ler o Guardador de Rebanhos. Passados tantos anos de o ter lido pela primeira vez, vejo a minha filosofia toda aqui: no Mestre Caeiro. O meu panteísmo é o dele. O meu olhar difuso também. A minha visão da morte, a dele.
------------------------------------------------------
XXI
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento...
(...)
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...
-------------------------------------------------------
E depois o velho 49, que nunca é demais mostrar e ler ... muito devagar:
------------------------------------------------------
XLIX
Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas noites,
E a minha voz contente dá as boas noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito,
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.
------------------------------------------------------
------------------------------------------------------
XXI
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento...
(...)
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...
-------------------------------------------------------
E depois o velho 49, que nunca é demais mostrar e ler ... muito devagar:
------------------------------------------------------
XLIX
Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas noites,
E a minha voz contente dá as boas noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito,
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.
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01 maio, 2007
o medo
Incêndio
Se conseguires entrar em casa e
alguém estiver em fogo na tua cama
e a sombra duma cidade surgir na cera do soalho
e do tecto cair uma chuva brilhante
contínua e miudinha - não te assustes
são os teus antepassados que por um momento
se levantaram da inércia dos séculos e vêm
visitar-te
diz-lhes que vives junto ao mar onde
zarpam navios carregados com medos
do fim do mundo - diz-lhes que se consumiu
a morada de uma vida inteira e pede-lhes
para murmurarem uma última canção para os olhos
e adormece sem lágrimas - com eles no chão.
al berto in Horto de Incêndio
http://luisramos.net/poetry/um_so_poema.php#alberto
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