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09 outubro, 2007

Gripe dos Andes

Uma gripe apanhada em Quito nao me deixa fazer surf, mas deixa-me estar fechado num cyber café quentinho a fazer posts (7 novos hoje). Ora vamos lá...

Há quem diga que os Andes devem o seu nome ao facto de estarem cultivados!? Montanha cultivada, sem socalcos... (na colombia)


Há quem diga... (na venezuela)

Pessoas

Tenho sempre vergonha de tirar fotografias a pessoas e por isso tenho tao poucas caras...



O Yiftach de Israel (notem o lenco!), o Diego do Brasil, o Luciano da Argentina e eu.
Depois destes personagens "muy buena onda" só conheci viajantes angloparlantes... gente, em geral, muito menos interessante.








Os grandes Colombianos, vendedores de bilhetes. Que simpatia!








A amiga Adriana e o seu Roberto de Quito (Ecuador) a comer choclos com queijo (espiga de milho com queijo fresco).

06 outubro, 2007

Altitude

De Cucuta, cidade Colombiana que faz fronteira com a Venezuela, a Bogotá (a capital) foram 17 horas de autocarro. Ora o altímetro diz-nos que Cucuta está a 320metros de altitude, depois vem uma estrada que passa a 3000m, depois vem Bucaramanga a 960m e depois Bogotá a 2640m! Só com estes pontos (em principio há ainda mais sobe e desce) temos 4360 metros a subir e 2040 a descer!Estes números são gigantescos, mesmo se comparados com valores alpinos. A Wikipédia diz que a mais alta _cidade_ da Europa está a 2300m de altitude.
Bem, de Bogotá (2640m) ate á capital do Equador, Quito (2850m) a historia repete-se com, por exemplo, Cali a 1000m, entre outros.A estrada é a estrada panamericana, que é basicamente o meu trajecto por estas bandas.http://es.wikipedia.org/wiki/Carretera_Panamericana

E por falar em alturas. Um dos melhores momentos da viagem foi o jogo de futebol em Bogotá com uns putos de 14 anos. Passados 5 minutos já estávamos todos a arfar, de mãos nos joelhos e com tonturas: 2640m. Daqui vieram as historias dos grandes sucessos da Bolívia nas Taças Americanas quando joga em casa no seu estádio a 3600metros de altitude :-)

01 outubro, 2007

Gringolândia

Estive aqui há três dias:
http://www.eltiempo.com/nacion/oriente/2007-10-01/ARTICULO-WEB-NOTA_INTERIOR-3746250.html

Se para uns. Estar aqui na sudamerica é uma grande aventura, a maior da vida deles! Especialmente para os gringos (americanos, australianos, ingleses). Como para o rapazito que fez de buenos aires a nova york de mota. Para mim estar aqui é a coisa mais normal do mundo (a forma desta frase é uma experiência).
Não me sinto aventureiro. Milhares e milhares de pessoas já fizeram estas rotas. Não são rotas de aventura, são rotas de turismo de aventura. Aventura para esta gente é serem 6 da tarde e ainda não saberem onde vão dormir, ou ter de falar espanhol para comprar um bilhete de autocarro, ou saber que aqui há raptos.
Por outro lado, os anglófonos, em geral, dão muito valor ao fazer a viagem e depois dizerem que a fizeram. Serem vistos como aventureiros é, para a grande maioria dos viajantes, o mais importante da viagem.

Para mim, eu não sou aventureiro, os outros é que são uns atados! Sim, lamento, vocês ;-)

Há muito poucos turistas culturais aqui, turismo étnico!? Este é o turismo que me interessa. E como falo espanhol, a cultura de cá está fantasticamente disponível em todas as esquinas.

No mas gringos! Sudamericanos, claro!

30 setembro, 2007

Insónia, nirvana e outras desconstrucoes

(para quem chega pela primeira vez aqui, ler o post a baixo, bem mais palpável)

Domingo de manha, depois de uma noite de copos e 5 horas de sono acordo as 9 da manha... em Bogota.
Si me perguntas algo pela mañana, mismo en ingles, digo "si!" o "que?" ... o espanhol entranha-se.
"Porque te ries?", todos perguntam. "Porque todo es muy hermoso aquí" digo.
Há uma sentimento que me invade quando viajo, o síndrome do viajante, que mal sei descrever.
As jorradas de vida, realidade, diferença que me penetram, reflectem-se nos meus olhos e no meu sorriso permanente. Um estado de harmonia com a violenta real-diversidade.
As ideias já não são concretizáveis, são meramente visíveis. As respostas possíveis da politica, metafisica ou ética misturam-se em volta da avalanche de dados. A maquina cérebro vai sempre dizer que há uma lógica, uma realidade, um sentido. Viajar é derrotar esta inércia estruturante do nosso cérebro.

Os amigos brasileiro, argentino e israelita ajudam a torrente; o amigo colombiano que nos acompanha pela noite como se fossemos amigos de anos também ajuda ao sorriso.

Onde esta Chavez entre a propaganda? Onde estão as veias abertas da América Latina? Onde está a justiça para tantos pobres?
O que somos, sudamericanos? Porque somos? Onde estamos? Porque estamos? Onde vamos? Porque vamos? Vamos?

Há só uma teoria que me invade lentamente, que todos confirmam mas ninguém concorda: somos todos a nossa educação e a luta que temos com ela nos limites de nos mesmos.
Ética e politicamente. Cultural e socialmente.
Siddartha diz-nos que, se formos capazes de absorver o para la dos nossos limites, chega-nos um sorriso. Deleuze diz-nos que se nos perdermos ai, no nirvana, na despersonalização, nos encontraremos num final. Nietzsche também vive ai, como se houvesse um ponto de chegada. Eu não espero encontrar-me senão na medida em que regressarei a mim, a uma construção qualquer; amalgama de educação e revolta.

Museo Botero, Bogota:

Esculturas de Ernst:
http://www.bc.edu/bc_org/avp/cas/fnart/art/20th/sculpture/ernst01.jpg
A obra fundadora do surrealismo esta em Bogota:
http://www.artfacts.net/newspics/2119_Busto

28 setembro, 2007

Sudamérica

Caros amigos, a vida continua, desta vez em espanhol.

O plano
O plano é passar 3 meses na América do sul e fazer um percurso aleatório entre Caracas, na Venezuela, e Santiago, no Chile. Uma trajectória em linha recta de 5000kms que atravessa na sua grande parte a cordilheira dos Andes. 5000kms em recta que muito facilmente se transformam em 10000kms de estrada sinuosa a percorrer dentro de autocarros velhos guiados por motoristas loucos e sempre com os gigantes abismo e paisagem ao lado.

O blog
Desta vez o blog será mais curto e terei de o escrever em cybercafés, o que prejudica gravemente a inspiração e a qualidade da narrativa. Por outro lado, tentarei manter o blog como um espelho triste do meu bloco de notas, espelho esse mais fiel da realidade de aqui.
Muitos posts vao ficar por fazer: um gigante sobre politica na venezuela, por exemplo, ou outro sobre a planicie gigantesca dos los llanos, outro sobre racas, outro sobre musica, outro sobre comida, outro sobre plata ($), outros sobre as conversas com o povo de cá. Enfim, fica um cheirinho.

Venezuela
Caracas tem 7,5milhoes de pessoas e 100 morrem assassinadas por ano. A cidade mais perigosa do continente? É uma cidade pobre com torres. O bairro caro e seguro onde fui desaguar tem, á saída da estacao de metro, um prédio destruído e pouca gente na rua. Assustador. Tal como o oitavo andar do hotel de 60 anos onde fiquei. Um love motel de quartos vazios e vista sobre um bairro da cidade, onde se vê vias de 7 faixas, muitos carros, um ruído ensurdecedor de transito, torres a dizer PEPSI com edifícios pobres de um andar em frente, e uma nauseá terrível dentro de mim.
Na manha seguinte nem o centro fui ver, autocarro para uma praia ali não muito longe: os prédios e carros tirados por umas palmeiras, areia branca e ondas azuis do caribe. ao jantar um peixe fresco grelhado e um quarto numa pousada colonial (colorida) com vista para o mar.
Dois dias depois um parque natural com anacondas, capivaras, jacares, condores (abutres), tartarugas, golfinhos de agua doce, veados, cobras, etc. só não vi anacondas! Mas andei a cavalo, de barco no rio de agua castanha, fiz rafting em rápidos bem rápidos.
Entretanto a fronteira com a colombia (onde quem não esta cá para ver pensa que se pode morrer, ser roubado ou ser raptado) aparece e para trás fica um pais de gente simpática, mulheres bonitas, homens machistas; país do petróleo (um litro de gasolina custa 2centimos de EUR!!!), e onde se discute em todos os cantos: chavez, chavez, chavez.
O mote estava dado para uma viagem que se avista cheia de coisas novas.


Colômbia
Quem chega á antiga capital mundial dos sequestros leva logo um grande estalo: os colombianos são as pessoas mais simpáticas do mundo. Fazer conversa com alguém na rua é fácil, o difícil é parar e continuar caminho. O meu espanhol vai de vento em popa.
Já em Bogotá, depois de 17 loucas horas de autocarro pelas montanhas, a cidade assusta-me á priori mas depois de poucos blocos de caminhada pelas ruas apercebo-me que estou seguro. Na Venezuela eu sou obviamente um gringo, aqui não, aqui há mais brancos e faz com que eu só me destaque ou pela mochila as costas ou por ser alto.
Bogotá (tal como a Colombia em geral) é uma cidade com muito melhor aspecto que Caracas (e a Venezuela em geral). Os prédios não mostram tanto tijolo, as ruas tem passeios e os jardins, apesar de cheios de lixo, estão arranjados.
Este é o pais da cocaína (aqui custa 10 vez menos que na Europa e compra-se na rua). A guerrilha é eterna porque os quartéis que protegem as plantacoes de coca também são eternos. E todos vão vivendo felizes no principal pais do enfraquecido eixo de direita sul americano.

A viagem
A cada segundo há informação nova que me invade. E os limites do meu cérebro para processar essa informação já há muito que foram ultrapassados.
Intelectualmente é um processo muito desgastante mas interessantíssimo. Emocionalmente é um processo muito desgastante mas delicioso. Aqui jaz o fundamento do prazer de viajar.